Depois de deixar a Grande Rio e passar 2026 longe da Sapucaí, Paolla Oliveira assume a bateria da Imperatriz e inicia uma nova fase de sua relação com o Carnaval
O Carnaval ainda tinha assunto pendente com Paolla Oliveira. Um ano depois de deixar o posto de rainha de bateria da Grande Rio e experimentar a folia longe da avenida, a atriz decidiu colocar a coroa de volta. Desta vez, em outra escola.
Paolla foi anunciada nesta quarta-feira (23) como a nova rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval de 2027. A confirmação encerra semanas de especulações e abre um capítulo inesperado até para ela. Ao contar a novidade, a atriz admitiu: “Voltar não estava nos meus planos”.
A decisão veio justamente depois de um Carnaval vivido sem a rotina de quem passa meses se preparando para cruzar a Sapucaí à frente dos ritmistas. A distância não diminuiu a ligação. Pelo contrário. Foi assistindo um pouco mais de fora que Paolla percebeu que ainda havia espaço para essa história continuar.
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Voltar não estava nos planos
A despedida da Grande Rio, em 2025, tinha peso de fim de ciclo. Paolla havia decidido deixar uma função que ocupou durante boa parte de sua história recente com o Carnaval. A atriz esteve à frente da bateria da escola de Duque de Caxias em 2009 e 2010 e retornou ao posto em 2020, permanecendo até o desfile de 2025.
Foram sete desfiles como rainha. No meio dessa trajetória veio também um momento que mudou a história da própria Grande Rio. Em 2022, Paolla estava à frente da bateria quando a escola conquistou o primeiro título do Grupo Especial.
Vieram ainda fantasias que acabaram ganhando vida própria depois da avenida. Uma das mais lembradas foi a onça de 2024, com um efeito visual que modificava a estampa durante o desfile e rapidamente tomou as redes sociais.
Mas havia chegado a hora de sair daquele lugar. Paolla explicou na época que precisava reorganizar prioridades, olhar para a vida pessoal e profissional e viver o Carnaval de outra maneira. Isso nunca significou deixar de gostar da festa. Talvez a diferença só tenha ficado mais clara quando fevereiro chegou novamente.
Um Carnaval visto do outro lado
Em 2026, Paolla fez algo que não fazia havia anos: chegou à Sapucaí sem precisar se preocupar com ensaio, fantasia, horário de concentração ou o peso de conduzir uma bateria pela avenida. Foi espectadora.
Antes disso, aproveitou o Carnaval no Rio e em Salvador, esteve no Cordão do Bola Preta e subiu no trio de Pedro Sampaio. Na Sapucaí, assistiu aos desfiles e acompanhou de perto justamente a Grande Rio, agora ocupando outro lugar naquela história. A emoção apareceu.
Durante a passagem da escola, integrantes se aproximaram, o pavilhão foi levado até ela e Paolla reencontrou uma comunidade com a qual construiu uma relação de muitos anos.
Mas assistir de fora também deu outra perspectiva. Ao anunciar a chegada à Imperatriz, ela contou que foi justamente esse afastamento que a fez perceber o tamanho do espaço que o Carnaval ainda ocupava em sua vida. Não era uma despedida definitiva. Era uma pausa que ela própria ainda não sabia quanto duraria.
A volta poderia ter acontecido em Caxias
Quando o posto de rainha da Grande Rio ficou novamente disponível em 2026, o nome de Paolla voltou imediatamente à conversa. A escola demonstrou publicamente interesse em tê-la novamente à frente da bateria. O retorno, no entanto, não aconteceu.
A Grande Rio seguiu outro caminho e escolheu Anitta, coroada no último domingo (20). Paolla, inclusive, recebeu a notícia com carinho e desejou uma trajetória feliz à cantora.
Três dias depois da coroação em Caxias, veio a surpresa. Paolla estava voltando, sim. Só que para Ramos. Essa diferença é importante. Não se trata de tentar recuperar exatamente o lugar que deixou para trás. A atriz escolheu começar uma relação com outra escola, outra bateria e, principalmente, outra comunidade.
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A Imperatriz já estava se aproximando
O anúncio pode ter acontecido agora, mas Paolla já tinha cruzado o caminho da Imperatriz alguns meses antes. Em julho, ela conheceu a quadra da escola durante o tradicional arraiá da agremiação, em Ramos. Passou a noite por lá, dançou quadrilha e dividiu momentos da festa com IZA.
IZA continua rainha, mas em outro lugar
A chegada de Paolla também cria uma configuração interessante dentro da Imperatriz. IZA deixou o posto de rainha de bateria depois do Carnaval de 2026, mas não se despediu da escola. A cantora passou a ocupar uma função criada especialmente para essa nova fase: Rainha da Escola.
Ou seja, não teremos uma substituição que apaga quem veio antes. IZA continua ligada à Imperatriz, enquanto Paolla assume a responsabilidade de estar à frente da Swing da Leopoldina.
As duas, que já apareceram juntas na quadra, estarão na mesma escola no próximo Carnaval, mas exercendo papéis diferentes.
Uma nova comunidade para conhecer
Ser rainha de bateria vai muito além dos minutos de desfile na Sapucaí. Paolla sabe disso provavelmente melhor do que a maioria. Foram anos de ensaios, quadra, eventos e convivência até que sua imagem se tornasse tão ligada à Grande Rio que, mesmo depois da saída do posto, ela continuou sendo recebida com carinho pela escola.
Na Imperatriz, essa construção começa praticamente do zero. Ela conhece o Carnaval. Sabe ocupar a avenida. Tem intimidade com samba e com o tamanho da exposição que acompanha uma rainha. O que ainda não existe é justamente aquilo que não pode ser apressado: a relação com a comunidade.
E esse talvez seja o pedaço mais interessante dos próximos meses. Não é apenas Paolla aprendendo uma nova coreografia ou vestindo verde, branco e dourado. É uma atriz que já teve um reinado longo chegando em uma escola onde ainda precisa encontrar seu próprio lugar.
Paolla chega em ano de memória na Imperatriz
O retorno acontece também em um Carnaval no qual a Imperatriz vai olhar para memória, ancestralidade e reencontro. Para 2027, a escola apresentará “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia”, enredo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.
A história parte de Dona Júlia, uma calunga ligada ao Maracatu Nação Porto Rico que permaneceu desaparecida por décadas antes de ser reencontrada.
A partir dessa trajetória, a escola vai atravessar religiosidade, cultura popular, memória e os vínculos que sobrevivem mesmo quando algo parece ter se perdido pelo caminho. É difícil não perceber uma coincidência bonita nesse encontro.
A Imperatriz vai falar sobre memória e retorno justamente no Carnaval em que recebe uma rainha que também achava que aquela parte de sua própria história havia ficado para trás. Não precisa transformar uma coisa em metáfora da outra. A vida tratou de aproximá-las sozinha.
Não é a mesma coroa
Talvez essa seja a parte mais interessante da volta de Paolla Oliveira. Ela não retorna ao Carnaval tentando apagar a despedida de 2025. Também não está retomando exatamente de onde parou.
A Grande Rio continua sendo uma parte importante de sua trajetória. Foram anos de convivência, um campeonato, fantasias que marcaram sua passagem pela avenida e uma relação que não desapareceu quando ela deixou o posto.
A Imperatriz começa de outro lugar. Há uma nova quadra para frequentar, uma bateria para conhecer, pessoas com quem criar intimidade e uma comunidade que agora também precisará descobrir quem é Paolla dentro daquela escola.
Depois de passar um Carnaval olhando a Sapucaí do lado de fora, ela percebeu que ainda queria estar ali. A coroa voltou. Só que a história começa de novo.