Após cinco anos, festival ocupa o MAM Rio com shows, skate, exposições, oficinas e uma programação gratuita para diferentes gerações

O Arte Core 2026 está de volta ao calendário cultural carioca. Após cinco anos de pausa, o festival retorna ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o MAM Rio, nos dias 29 e 30 de agosto, das 10h às 22h. A nona edição terá entrada gratuita, classificação livre e uma programação que reúne artes visuais, skate, música, moda, oficinas, performances e encontros. Os ingressos são retirados pela Sympla e foram divididos por dia: há uma página para o sábado, 29 de agosto, e outra para o domingo, 30 de agosto. A disponibilidade deve ser consultada diretamente na plataforma.

O retorno não representa apenas a retomada de um evento. Ao ocupar novamente o museu e seus arredores, o Arte Core recupera uma proposta que ajudou a aproximar diferentes públicos, linguagens e territórios criativos. A ideia é transformar o MAM em uma extensão da rua, com espaço para observar, ouvir, conversar e também produzir.

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Arte Core 2026 volta ao MAM Rio
Arte Core retorna ao MAM Rio após cinco anos longe do calendário cultural carioca – Foto: Divulgação/ I Hate Flash

A rua volta a ocupar o museu

No Arte Core 2026, o skate não aparece apenas como uma atividade paralela. Ele divide o espaço com exposições, grafite, desenho, colagem, fotografia, música e moda, reforçando a cultura urbana como uma experiência formada por diferentes linguagens.

O público poderá acompanhar performances, trabalhos de artes visuais e atividades práticas. Entre as oficinas estão experiências de desenho, pintura coletiva, grafite, montagem de lenços, colagem e pintura experimental com giz oleoso, conduzidas por nomes como Marcelo Macedo, Bruno Big, Antonio Ton, Thais D’Oliveira, Igor Izy, João Lelo, Talita Persi e Alberto Pereira.

O domingo também terá uma corrida de cinco quilômetros realizada pela Kenner em parceria com a marca de streetwear Rexpeita. O percurso começa no MAM Rio, segue pelo Aterro do Flamengo e retorna ao ponto de partida.

Skate integra a programação do festival, que também reúne música, moda e artes visuais – Foto: lucascellier/I Hate Flash

Artistas de diferentes regiões discutem novas brasilidades

A seleção de artes visuais reúne criadores de diferentes partes do país. Participam nomes como Amanda Nunes e Gugie Cavalcanti, do Distrito Federal; Charles Lessa, do Ceará; Luna Bastos, do Piauí; Robinho Santana, de São Paulo; Gustavo Magalhães, do Paraná; Maria de Lourdes Santiago, do Rio Grande do Norte; e Mariê Balbinot, do Rio Grande do Sul.

O Rio de Janeiro aparece representado por artistas como Conativo, Dolores Essos, Matheus Abu, Thaís Iroko e Alberto Pereira. Segundo PH, responsável pela curadoria, a proposta é afastar uma imagem única ou limitada do Brasil e apresentar diferentes perspectivas sobre identidade, território e produção artística.

Essa diversidade ajuda o festival a escapar de uma leitura superficial da cultura urbana. Em vez de reunir apenas trabalhos visualmente semelhantes, a programação coloca lado a lado experiências, referências e trajetórias construídas em diferentes cidades brasileiras.

Público observa trabalhos expostos durante uma edição anterior do Arte Core – Foto: Divulgação/ I Hate Flash

Arte Craft antecipa a programação

Antes da abertura oficial do festival, a Varanda do MAM recebe a primeira edição da Arte Craft. A feira começa na sexta-feira, 28 de agosto, às 12h, com artistas, coletivos, galerias, editoras e iniciativas independentes ligadas principalmente à arte impressa.

Entre os participantes estão Lithos Edição de Arte, Ponte Cultural, Bruno Big & Lev, RJ Vandal & Casa Noz, Café Preto Tattoo e a Secretaria Municipal de Cultura do Rio. A programação também prevê mesas e encontros com iniciativas como Pavilhão Maxwell Alexandre, Futuro Suburbano, Lambe das Minas, RL Escritório de Arte e Into the Mirror. A estreia amplia a circulação de trabalhos que nem sempre chegam às galerias tradicionais. Além de conhecer as produções, o público poderá se aproximar de quem cria, publica e movimenta diferentes cenas artísticas da cidade.

Fotografia e outras linguagens urbanas se encontram na programação do Arte Core – Foto: Wilmore/I Hate Flash

Portas Abertas coloca a periferia no centro

Outra novidade é o projeto Portas Abertas, organizado com curadoria do coletivo Futuro Suburbano. A ocupação apresentará trabalhos de 36 artistas suburbanos, periféricos e integrantes de grupos historicamente colocados à margem dos circuitos culturais.

As obras serão reunidas em uma galeria dedicada a diferentes narrativas, linguagens e experiências. A proposta não é tratar a produção periférica como um recorte separado do festival, mas reconhecê-la como parte central da criação contemporânea brasileira.

A programação também inclui ações de moda e impacto social. O público poderá levar roupas para doação e participar de uma atividade de customização no espaço da Pool Jeans, marca da Riachuelo que apresenta esta edição.

Skate, arte e convivência dividem espaço nos arredores do MAM Rio – Foto: Divulgação/ Louquera/I Hate Flash

FBC, BNegão e DJs de vinil ocupam a programação musical

A música completa o encontro entre as diferentes cenas do Arte Core 2026. Com curadoria de Daniel Tamenpi, o festival terá DJs que constroem seus sets exclusivamente com discos de vinil, além da participação do rapper BNegão.

FBC também integra a programação e faz um pocket show gratuito no domingo, a partir das 21h. A apresentação encerra o fim de semana aproximando a música de uma programação que, ao longo do dia, passa pelo skate, pelas artes visuais e pelas intervenções urbanas.

Música completa a experiência do festival, que terá FBC, BNegão e DJs de vinil – Foto: I Hate Flash

Um retorno que respeita o tempo da criação

Criado em 2013, o Arte Core realizou oito edições até 2021 e ajudou a ampliar a projeção de artistas como Maxwell Alexandre, Mulambo, Wallace Pato, Speto, Helen Salomão, Bruno Big e Fefe Talavera.

Em 2026, o tempo aparece como fio condutor do retorno. A proposta coloca o processo criativo em contraste com a velocidade do consumo contemporâneo e chama atenção para tudo aquilo que não acontece imediatamente: a tentativa, o erro, o encontro, a conversa e a construção de uma obra.

Depois de cinco anos, o festival volta justamente para defender essa pausa. Durante três dias, incluindo a abertura da Arte Craft, o MAM Rio será novamente um território para circular sem pressa entre aquilo que nasce nas galerias, nas pistas, nos subúrbios e nas ruas.

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