Após 33 edições, premiação reconhece o forró em categoria exclusiva; João Gomes celebra a conquista e reforça o legado de Luiz Gonzaga para a música nordestina.

Após 33 edições, o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira terá, pela primeira vez, uma categoria dedicada exclusivamente ao forró. A novidade foi anunciada no domingo (30) em uma publicação conjunta com João Gomes, que se emocionou ao comemorar a conquista e homenageou Luiz Gonzaga. A mudança será aplicada na 34ª edição, prevista para 2027, e atende a uma reivindicação antiga do cantor: ver a música do sertão nordestino reconhecida por sua própria identidade.

A decisão chega depois de João Gomes ter sido premiado como Melhor Artista Sertanejo em 2025, resultado que abriu uma discussão sobre a ausência de um espaço específico para o forró. Em 2026, o pernambucano voltou à premiação e conquistou três troféus, desta vez nas categorias Canção Popular e Projeto Especial.

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João Gomes celebrou a criação da primeira categoria exclusiva para o forró na história do Prêmio da Música Brasil

Uma reivindicação que ganhou força

João Gomes já havia defendido publicamente a criação de uma categoria para o forró. Durante uma participação no programa “Roda Viva”, o cantor afirmou que se sentia incomodado ao ver artistas do gênero disputando prêmios em segmentos como sertanejo ou música regional.

A discussão ganhou força depois da edição de 2025 do Prêmio da Música Brasileira, quando João venceu como Melhor Artista Sertanejo. Embora sertanejo e forró possam abordar temas ligados à vida rural, ao interior e ao cotidiano do campo, os gêneros possuem histórias, referências culturais e identidades musicais diferentes.

Ao anunciar a mudança, o artista afirmou que não conseguia explicar a felicidade de finalmente poder dizer que “o forró vai ter uma categoria” na premiação. João também falou sobre os desafios enfrentados por quem trabalha com o ritmo.

“É uma batalha imensa ser forrozeiro”, declarou o cantor, ao comentar o preconceito que ainda associa o gênero a algo ultrapassado ou “cafona”. 

De artista sertanejo a símbolo do forró

A trajetória de João Gomes dentro do próprio prêmio ajuda a explicar a importância da nova categoria. Em 2025, ele foi reconhecido como artista sertanejo. Já na edição de 2026, tornou-se o grande vencedor da noite ao conquistar três troféus: Melhor Artista de Canção Popular, Melhor Lançamento de Canção Popular, por “Pé de Serrita”, e Melhor Lançamento de Projeto Especial, por “Dominguinho”, ao lado de Mestrinho e Jota.pê.

O ranking oficial da premiação registra cinco troféus para João Gomes ao longo da carreira. A sequência mostra que sua música já vinha sendo valorizada, mas ainda precisava ser enquadrada em categorias mais amplas para participar da disputa.

João Gomes, Mestrinho e Jota.pê representam nova geração do forró
João Gomes, Mestrinho e Jota.pê conquistaram reconhecimento nacional e internacional com o álbum “Dominguinho” – Foto: Divulgação

Forró é considerado um “supergênero”

A criação de uma categoria própria também ajuda a mostrar que o forró não representa apenas um ritmo. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, classifica o forró como um “supergênero” formado por diferentes expressões musicais e dançantes.

Entre suas matrizes tradicionais estão o baião, o xote, o xaxado, o arrasta-pé, o rojão e o coco. Sanfona, zabumba e triângulo formam a base mais conhecida dos tradicionais trios de forró, mas o gênero se transformou ao longo das décadas e ganhou novas vertentes, públicos e formatos.

É justamente essa diversidade que torna os critérios da nova categoria tão importantes. Até a publicação desta matéria, a organização ainda não havia detalhado se vertentes contemporâneas, como piseiro e forró eletrônico, estarão reunidas na mesma disputa ou se haverá alguma divisão.

Reconhecimento chega em momento histórico

A criação da categoria acontece em uma fase de valorização institucional do forró. Em 2021, as Matrizes Tradicionais do Forró foram registradas pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil.

Em março de 2026, o Brasil entregou à Unesco a candidatura das Matrizes Tradicionais do Forró ao título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A proposta ainda precisa ser analisada pela organização internacional. ⁠

Com isso, a chegada do gênero ao Prêmio da Música Brasileira aproxima o reconhecimento cultural do reconhecimento artístico. Na prática, uma categoria própria permite que trabalhos ligados ao forró sejam avaliados dentro de sua identidade, sem depender de classificações mais amplas.

Luiz Gonzaga está no centro dessa história

Ao comemorar a novidade, João Gomes fez referência a Luiz Gonzaga. O reconhecimento não representa apenas uma conquista pessoal, mas também se relaciona ao caminho aberto por diferentes gerações de artistas nordestinos.

Conhecido como Rei do Baião, Luiz Gonzaga ajudou a popularizar o baião e outras expressões associadas ao forró em todo o Brasil, principalmente a partir da década de 1940. Ao lado do compositor Humberto Teixeira, lançou músicas que apresentaram ao país sons, histórias e aspectos da vida no sertão nordestino.

O nascimento de Luiz Gonzaga, em 13 de dezembro de 1912, está associado à escolha da data do Dia Nacional do Forró, comemorado em 13 de dezembro.

O Prêmio da Música Brasileira já homenageou artistas ligados à música nordestina em diferentes edições. No entanto, os números de troféus atribuídos a Elba Ramalho, Dominguinhos e Alceu Valença, citados na versão anterior, não foram mantidos porque não puderam ser confirmados de forma consistente nas fontes disponíveis.

Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, posa com sua sanfona em registro de 1963 – Foto: Divulgação/Instagram

Movimento acompanha outras premiações

O Prêmio da Música Brasileira teve origem como Prêmio Sharp, em 1987, e passou por diferentes formatos e patrocinadores ao longo de sua história. A inclusão do forró acompanha um movimento de ampliação do reconhecimento de gêneros e vertentes da música brasileira.

O Prêmio Multishow criou a categoria Forró e Piseiro do Ano em 2023. João Gomes foi apontado como vencedor com a música “Pequena Flor”, segundo a cobertura do Gshow.

Quem é João Gomes?

Nascido em Serrita, no sertão de Pernambuco, João Gomes se tornou um dos representantes da nova geração do forró e do piseiro. O cantor alcançou projeção nacional com músicas como “Meu Pedaço de Pecado”, “Eu Tenho a Senha” e “Dengo”.

João Gomes, Mestrinho e Jota.pê venceram o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa com “Dominguinho”. A edição e o ano exatos dessa vitória devem ser conferidos diretamente no registro oficial do Latin Grammy antes da publicação, pois a fonte indicada não apresenta, no endereço citado, informações suficientes para confirmar todos os detalhes temporais.

O que já se sabe sobre a edição de 2027

A categoria de forró deverá estrear na 34ª edição do Prêmio da Música Brasileira, prevista para 2027. A cerimônia ainda não tem data divulgada, de acordo com as informações reunidas para esta matéria.

Também não foram apresentados os critérios de seleção, o período de inscrição nem a forma como as diferentes vertentes do gênero serão avaliadas. Esses detalhes serão fundamentais para entender o alcance da mudança.

A organização também anunciou Martinho da Vila como homenageado da edição de 2027, conforme a informação divulgada nas fontes consultadas. A confirmação deve ser feita no site oficial da premiação antes da publicação.

Mais do que acrescentar um troféu à cerimônia, a nova categoria reconhece o forró como uma das principais forças da música brasileira. Para João Gomes, é a conquista de uma reivindicação. Para os forrozeiros de diferentes gerações, é a criação de um espaço específico dentro de uma das principais premiações musicais do país.

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