O Rei do Trap Latin encerra em San Juan a turnê DeBÍ TiRAR MáS FOToS após levar a cultura porto-riquenha a quatro continentes e redefinir a música latina no cenário musical global
Bad Bunny escolheu Porto Rico para concluir um dos capítulos mais importantes da música latina recente. Neste fim de semana, o cantor voltou às suas origens para realizar os dois últimos shows da turnê mundial DeBÍ TiRAR MáS FOToS, no Estádio Hiram Bithorn, em San Juan.
Batizadas de “Cerramos en Casa”, as apresentações dos dias 22 e 23 de agosto transformaram o encerramento da turnê em uma celebração da identidade porto-riquenha. Mais do que retornar ao lugar onde nasceu, Benito Antonio Martínez Ocasio levou ao palco a cultura, os ritmos e as questões sociais que acompanham sua obra.
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Diante de cerca de 18 mil pessoas na primeira noite, o artista se emocionou ao falar sobre os problemas enfrentados pela população, como a falta de água e os constantes cortes de energia. Em seu discurso, reforçou que desejava oferecer alegria, esperança e força para que o povo continuasse defendendo a ilha.
O reencontro também serviu como agradecimento. Bad Bunny atribuiu ao povo porto-riquenho parte essencial de seu sucesso e reafirmou o orgulho de pertencer à ilha que transformou em protagonista de sua música.
Uma turnê construída a partir de Porto Rico
A DeBÍ TiRAR MáS FOToS World Tour começou em novembro de 2025, em Santo Domingo, na República Dominicana, e percorreu países da América Latina, Europa, Ásia e Oceania. Durante oito meses, Bad Bunny apresentou um espetáculo que misturou reggaeton, trap, salsa, plena e outras referências da música caribenha.
O palco reproduziu elementos da vida cotidiana de Porto Rico, com destaque para “La Casita”, uma casa típica que se tornou um dos principais símbolos visuais da turnê. Em vez de adaptar sua identidade para conquistar o público internacional, o cantor fez o caminho inverso: convidou o mundo a entrar em seu universo.

Antes das duas apresentações extras em San Juan, a turnê já havia arrecadado US$ 467,5 milhões e vendido aproximadamente 3,08 milhões de ingressos em 55 shows. O resultado fez dela a turnê de maior bilheteria já realizada por um artista latino masculino e também a mais lucrativa da história sem passar pelo território continental dos Estados Unidos, de acordo com dados da Billboard Boxscore.
O Brasil também fez parte desse percurso. Em fevereiro de 2026, Bad Bunny se apresentou pela primeira vez no país, com duas noites em São Paulo. Segundo o Spotify, o Brasil é o terceiro maior mercado do artista entre as nações que não têm o espanhol como idioma principal.

Do SoundCloud ao topo do mundo
A trajetória de Bad Bunny começou a ganhar forma em 2016, quando ele publicava suas músicas no SoundCloud enquanto trabalhava como empacotador de supermercado. Faixas como “Diles” e “Soy Peor” chamaram a atenção da indústria e abriram espaço para colaborações com artistas como J Balvin, Becky G, Cardi B e Drake.
Em 2018, o álbum de estreia X 100PRE apresentou ao mundo um artista disposto a expandir as fronteiras do trap latino. Dois anos depois, YHLQMDLG chegou ao segundo lugar da Billboard 200, enquanto El Último Tour del Mundo se tornou o primeiro disco inteiramente em espanhol a liderar a principal parada de álbuns dos Estados Unidos.
O salto definitivo aconteceu com Un Verano Sin Ti, lançado em 2022. O projeto permaneceu 13 semanas no topo da Billboard 200, foi o álbum mais popular do ano nos Estados Unidos e se tornou o disco mais reproduzido da história do Spotify. Também foi o primeiro álbum em espanhol indicado à categoria de Álbum do Ano no Grammy.
Em 2023, Bad Bunny ampliou novamente sua presença ao se tornar o primeiro artista latino solo a comandar o festival Coachella. Cada conquista ajudou a mudar a posição da música em espanhol dentro da indústria: de um segmento tratado como regional para uma das principais forças do mercado mundial.

Um álbum que transformou memória em identidade
Lançado em janeiro de 2025, DeBÍ TiRAR MáS FOToS marcou uma nova fase artística. O álbum combinou reggaeton com salsa, plena, bolero e ritmos tradicionais porto-riquenhos, enquanto abordava memória, pertencimento, deslocamento e as transformações sociais vividas pela ilha.
O sucesso foi mundial, mas a essência permaneceu profundamente local. Canções como “DtMF”, “BAILE INoLVIDABLE”, “NUEVAYoL”, “LA MuDANZA” e “LO QUE LE PASÓ A HAWAii” aproximaram diferentes gerações da música porto-riquenha e transformaram o álbum em uma declaração de amor e resistência cultural.
Em 2025, Bad Bunny voltou a ser o artista mais ouvido do mundo no Spotify, alcançando 19,8 bilhões de reproduções. Foi a quarta vez que ele liderou o ranking global feito inédito na plataforma. DeBÍ TiRAR MáS FOToS também terminou o ano como o álbum mais ouvido mundialmente.
Prêmios e recordes históricos
Bad Bunny acumula seis Grammys e 16 indicações. Na edição de 2026, conquistou três troféus: Álbum do Ano e Melhor Álbum de Música Urbana por DeBÍ TiRAR MáS FOToS, além de Melhor Performance de Música Global por “EoO”.
A vitória principal fez do projeto o primeiro álbum inteiramente em espanhol a receber o Grammy de Álbum do Ano. O porto-riquenho também saiu do Latin Grammy de 2025 com cinco prêmios, incluindo Álbum do Ano, Melhor Álbum de Música Urbana, Melhor Performance Urbana/Fusão, Melhor Performance de Reggaeton e Melhor Canção Urbana.
Entre outros marcos, tornou-se o primeiro artista latino a ultrapassar 100 entradas na Billboard Hot 100, o primeiro latino masculino a vencer o VMA de Artista do Ano e o primeiro artista de língua não inglesa a liderar o Spotify mundial durante três anos consecutivos sequência ampliada com uma quarta liderança em 2025.
O maior astro latino da atualidade
Chamar Bad Bunny de maior artista latino da atualidade não é apenas uma afirmação baseada em popularidade. Os números das plataformas, os recordes de bilheteria, a presença nas principais premiações e a capacidade de mobilizar milhões de pessoas em diferentes países sustentam esse lugar.
Sua maior contribuição, porém, está em ter alcançado o centro da cultura pop mundial sem abandonar o espanhol, o sotaque ou as referências de Porto Rico. Bad Bunny não precisou diluir suas origens para ser compreendido. Ele fez o público atravessar fronteiras para encontrá-lo.
Ao fechar a turnê em casa, Benito completou simbolicamente esse percurso. Depois de levar Porto Rico para os maiores palcos do mundo, ele retornou à ilha para agradecer ao povo que transformou sua história em música e sua música em um fenômeno global.

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