Sexto disco solo de estúdio chega em 16 de outubro pela Deck, será o primeiro homônimo da carreira e encerra o maior intervalo entre álbuns de inéditas da cantora
O novo álbum da Pitty já tem data para chegar. Em 16 de outubro, a cantora lança “Pitty”, seu sexto disco solo de estúdio e o primeiro repertório inédito desde “Matriz”, de 2019. Lançado pela Deck, o trabalho também será o primeiro da carreira batizado com o próprio nome. O anúncio veio por meio de um vídeo-manifesto, depois de uma sequência de pistas nas redes sociais, e abre oficialmente uma nova fase em mais de duas décadas de trajetória.
Os sete anos, no entanto, não representam um afastamento completo. Pitty continuou gravando, lançou projetos especiais, percorreu o país em diferentes turnês, dividiu o palco com Nando Reis e celebrou os 20 anos de “Admirável Chip Novo”. A pausa mais clara aconteceu na rotina de shows: após cumprir uma agenda até março de 2025 e fazer uma apresentação excepcional no The Town, em setembro, ela reduziu o ritmo. Foi nesse silêncio que as novas composições começaram a surgir, no fim daquele ano.
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Novo álbum da Pitty nasce após pausa nos palcos
A decisão de parar veio depois de quatro ciclos intensos. Entre 2022 e 2024, Pitty concluiu a turnê de “Matriz”, circulou com o projeto PittyNando, revisitou o disco de estreia na turnê ACNXX e realizou “Travessia”, apresentação especial ao lado de Emicida no João Rock. No fim de 2024, anunciou que faria suas últimas datas regulares até março do ano seguinte para descansar e recuperar espaço criativo.
A artista explicou que precisava desacelerar, reabastecer as ideias e preparar o terreno para o que viria depois. O show no The Town, realizado em 7 de setembro de 2025, permaneceu como uma exceção já programada. Na ocasião, Pitty apresentou um repertório construído a partir de diferentes momentos da carreira e encerrou mais um ciclo diante de um público formado por fãs de diferentes gerações.

Mesmo sem um novo álbum solo de inéditas, a discografia continuou ganhando capítulos. Vieram o EP “Casulo”, em 2022; o encontro com Nando Reis, que virou turnê e registro ao vivo; “Espelhos”, com gravações recuperadas do início da carreira; e “Admirável Chip Novo (Re)Ativado”, no qual Emicida, Ney Matogrosso, Sandy, Pabllo Vittar e outros artistas reinterpretaram suas composições. A comemoração ainda gerou “ACNXX Ao Vivo em Salvador”.
As novas músicas começaram a aparecer espontaneamente no fim de 2025, quando Pitty ainda não pretendia transformar as composições em um álbum completo. O processo fez a artista reencontrar a autora que escrevia sozinha em seu quarto, em Salvador, antes da fama. Ela chegou a resumir a sensação dizendo que estava fazendo “o primeiro disco da minha vida”. Antes do anúncio oficial, já havia definido o projeto com quatro ideias: pesado, dançante, sexy e raivoso. O processo fez a artista reencontrar a autora que escrevia sozinha em seu quarto, em Salvador…
Da cena underground ao centro do rock brasileiro
Antes de ocupar um lugar de destaque na música nacional, Priscilla Novaes Leone passou pela cena independente de Salvador. Tocou bateria na banda feminina Shes e, posteriormente, assumiu os vocais do grupo de hardcore Inkoma. Depois do encerramento da banda, continuou compondo em voz e violão, sem saber exatamente qual seria o destino daquele material.
Uma fita com essas músicas chegou ao produtor Rafael Ramos e abriu caminho para “Admirável Chip Novo”, lançado em 2003 pela Deck. O álbum apresentou ao grande público uma artista que combinava guitarras pesadas, letras reflexivas, atitude punk e uma presença feminina que ainda encontrava pouco espaço no rock brasileiro. O disco conquistou platina e transformou Pitty em uma das principais revelações musicais daquele período.

A partir dali, Pitty construiu uma obra que nunca ficou presa a uma única fórmula. “Anacrônico” (2005) aprofundou o peso e revelou “Na Sua Estante” e “Memórias”. “Chiaroscuro” (2009) ampliou as experiências sonoras e trouxe “Me Adora”. “Setevidas” (2014) marcou outra reconstrução, enquanto “Matriz” (2019) aproximou o rock de referências musicais e culturais da Bahia.
O repertório também atravessou gerações. Em levantamento divulgado pelo Ecad, “Na Sua Estante”, “Me Adora” e “Equalize” apareceram como as composições de Pitty mais executadas no Brasil durante um período de dez anos. “Máscara”, “Admirável Chip Novo”, “Teto de Vidro”, “Semana Que Vem”, “Memórias”, “Serpente” e “Setevidas” também permanecem entre os maiores sucessos de sua carreira.
Agridoce, televisão e os caminhos além da carreira solo
Entre os diferentes ciclos de sua discografia, Pitty criou o Agridoce ao lado do guitarrista Martin Mendonça. O projeto paralelo apresentou uma sonoridade mais intimista e acústica, trocando o peso habitual das guitarras por piano, violões, instrumentos de percussão e influências do folk. O álbum homônimo da dupla foi lançado em 2011 e mostrou outra dimensão de sua identidade como compositora e instrumentista.
O Agridoce também ganhou apresentações, DVD e releituras de artistas que influenciaram a dupla. O trabalho confirmou uma característica presente em toda a trajetória de Pitty: a disposição para experimentar novas linguagens, mesmo quando isso significava se afastar temporariamente da sonoridade que havia conquistado o grande público.

Fora da rotina tradicional de cantora, Pitty também ampliou sua presença como comunicadora. Entre 2017 e 2022, integrou o elenco de apresentadoras do “Saia Justa”, no GNT, debatendo comportamento, relações, cultura e temas sociais. Em 2018, lançou o documentário “Do Ventre à Volta”, no qual abordou a maternidade, o período longe dos palcos e a preparação para retomar os shows.

Essa multiplicidade ajuda a explicar por que “Pitty” não representa apenas uma volta depois de sete anos. O novo álbum reúne uma artista que passou esse intervalo cantando, dirigindo projetos, apresentando, experimentando novas linguagens e reorganizando a própria voz. Agora, ao colocar seu nome no título de um disco pela primeira vez, Pitty transforma toda essa trajetória em ponto de partida para uma nova fase.