Nova edição também terá Padma Lakshmi, Aditi Rao Hydari e outras artistas em um projeto marcado pelo último trabalho de Raghu Rai e continuado por sua filha

A Índia é o ponto de partida do Calendário Pirelli 2027, que terá, pela primeira vez, o trabalho de dois fotógrafos na mesma edição. O norueguês Sølve Sundsbø divide o projeto com o indiano Raghu Rai, que começou a produzir uma série sobre o país antes de morrer. Em vez de buscar uma única definição para a Índia, os ensaios percorrem suas cores, paisagens, pessoas e contrastes, sem tentar transformá-la apenas em cenário.

A fotógrafa Avani Rai ficou responsável por concluir o trabalho iniciado pelo pai e levou o projeto para as ruas, aproximando as imagens de arquivo da vida cotidiana. A série será apresentada ao lado do olhar de Sundsbø, também autor da edição de 2026. Criado em 1964, o Calendário Pirelli passou por diferentes fases e se tornou um projeto ligado à fotografia, à moda e às mudanças culturais de cada época. Nos bastidores da nova edição, flores, luz intensa e cenários coloridos ajudam a construir duas leituras sobre o país.

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Calendário Pirelli 2027 na Índia
Avani Rai posa durante os bastidores do Calendário Pirelli 2027, realizado na Índia Foto: Alessandro Scotti/Divulgação Pirelli

Calendário Pirelli 2027 coloca a Índia no centro das imagens

A Índia não será apenas o cenário da nova edição. O país aparece como parte central da proposta, com fotografias feitas entre ruas, construções históricas, paisagens naturais e espaços ligados ao cotidiano local. Sølve Sundsbø trabalhou em lugares como o Forte Jaigarh, em Jaipur, e Ajabgarh, no Rajastão. Já Avani Rai levou o projeto iniciado pelo pai para as ruas da Velha Délhi, incluindo áreas como Kinari Bazar e Yamuna Ghat.

Ruas, moradores e elementos do cotidiano indiano integram a construção visual do Calendário Pirelli 2027
Foto: Alessandro Scotti/Divulgação Pirelli

Freida Pinto, Rupi Kaur e Anoushka Shankar estão no elenco

Sølve Sundsbø fotografou nove mulheres cujas trajetórias mantêm diferentes relações com a Índia. O elenco inclui as atrizes Aditi Rao Hydari e Avantika Vandanapu, a atriz e produtora Freida Pinto, a musicista Anoushka Shankar e a poeta Rupi Kaur. Também participam as modelos Lakshmi Menon e Bhavitha Mandava, a autora e apresentadora Padma Lakshmi e a própria Avani Rai, que aparece diante das lentes de Sundsbø ao mesmo tempo em que trabalha como fotógrafa da edição.

Cores intensas e flores compõem um dos cenários criados para o Calendário Pirelli 2027 Foto: Alessandro Scotti/Divulgação Pirelli

Avani Rai conclui o último projeto do pai

Raghu Rai fotografava a Índia desde 1965 e planejou colocar imagens de seu arquivo em diálogo com o país atual. A ideia era mostrar, em uma mesma composição, o que havia mudado ao longo das décadas e o que ainda permanecia vivo. Depois da morte do fotógrafo, aos 83 anos, Avani assumiu o trabalho.

Em vez de simplesmente reproduzir o plano original, ela levou as fotografias antigas para lugares registrados pelo pai e passou a enquadrá-las junto às pessoas e à vida que ocupam esses espaços atualmente. Mais de 200 moradores, dançarinos, artistas, artesãos e outros participantes aparecem nessa parte do calendário. As imagens antigas ficam no centro da composição enquanto o presente continua acontecendo ao redor.

Avani Rai leva o acervo de Raghu Rai para as ruas e dá continuidade ao projeto iniciado pelo pai Foto: Alessandro Scotti/Divulgação Pirelli

Dois fotógrafos e diferentes formas de olhar para a Índia

O projeto mantém duas abordagens distintas. Avani trabalha com memória, arquivo e passagem do tempo. Sundsbø se aproxima das histórias e dos rostos das nove mulheres selecionadas para a edição. O fotógrafo norueguês reconheceu que, como alguém de fora, não deveria tentar construir sozinho uma definição visual da Índia. A colaboração com os Rai permite que o calendário mostre perspectivas diferentes, sem obrigá-las a chegar à mesma conclusão sobre o país.

Fotografia do acervo de Raghu Rai aproxima passado e presente na edição de 2027 do Calendário Pirelli Foto: Alessandro Scotti/Divulgação Pirelli

Como o Calendário Pirelli deixou de ser apenas sensualidade

Criado em 1964, o Calendário Pirelli começou como uma estratégia de divulgação da subsidiária britânica da empresa. Nas décadas seguintes, tornou-se um projeto artístico marcado pela participação de fotógrafos, modelos, atrizes e personalidades internacionais. Ao longo do tempo, o calendário reduziu a dependência da antiga fórmula centrada em sensualidade e passou a incorporar discussões sobre identidade, envelhecimento, cultura, diferentes corpos e novas formas de beleza. A edição de 2027 avança nesse caminho ao colocar memória, território e autoria no centro da narrativa.

Paisagens naturais da Índia também fazem parte da narrativa visual do Calendário Pirelli 2027 Foto: Alessandro Scotti/Divulgação Pirelli

Mais do que reunir nomes conhecidos, o Calendário Pirelli 2027 parte de uma pergunta: quantos olhares são necessários para fotografar um país que não cabe em uma única imagem? Sundsbø se aproxima das histórias de nove mulheres. Avani se afasta alguns passos para enquadrar as fotografias do pai dentro da Índia atual. Entre retratos, arquivos e ruas, a nova edição mostra que passado e presente podem ocupar o mesmo quadro sem se tornarem iguais.

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